Barroco e neoformalismo a partir da estética analítica: cinema, vídeo e arte interativa

O reposicionamento contemporâneo do conceito de barroco na discussão teórica sobre a cultura e a arte teve seu principal momento entre o final dos anos 1960 e meados dos 1990. Uma vez que este reposicionamento já constitui um legado para a atual pesquisa na área de artes, o conceito mantém uma sobrevida no trabalho de autores que, sob diferentes perspectivas, persistem na intenção de compreender a especificidade de uma estética barroca e explorar o seu potencial explicativo dos fenômenos culturais mais recentes. Neste projeto de pesquisa, partiremos de um diálogo crítico com o semioticista italiano Omar Calabrese, tendo em vista a fundamentação de uma teoria da forma barroca capaz de atestar a sua relevância no estudo de produtos artísticos atuais, particularmente no cinema, no vídeo e nas artes interativas. Para isso, proporemos uma reapropriação do conceito de barroco como forma ou estilo, igualmente sustentada por Calabrese em A Idade Neobarroca, sem, no entanto, embasá-la na semiótica, e tampouco retornando a uma filosofia da história ou a uma metafísica, tal como elaboradas tradicionalmente pelos teóricos historicistas do barroco (Wölfflin, Focillon, d'Ors etc.). Como alternativa a estes modos de fundamentação, pretendemos ancorar nossa teoria nas contribuições à estética que a filosofia analítica anglo-saxã tem desenvolvido desde os anos 1950, particularmente por meio de uma crítica da tradição formalista (Bradley, Bell, Fry, Greenberg etc.) e da elaboração de hipóteses sobre a possibilidade de um neoformalismo contemporâneo (Beardsley, Eldridge, Danto, Zangwill etc.). 

Duração: Setembro de 2016 ao presente

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O estilo depois da sociedade do espetáculo: um momento neobarroco?

A hipótese de que os produtos culturais do final do século XX e começo do XXI refletem a constituição de um momento neobarroco na sociedade e nas artes é discutida por autores como o semioticista Omar Calabrese e o filósofo Mario Perniola. Especificamente na obra de Perniola, essa hipótese se justifica a partir de uma análise da chamada sociedade do espetáculo, apresentada por Guy Debord em seu livro homônimo de 1966. O filósofo italiano se inclui, assim, em um grupo heterogêneo de intérpretes que, a despeito de suas diferentes filiações intelectuais, empenharam-se em criticar e atualizar os aforismos debordianos nos últimos anos (Jacques Rancière, Nicolas Bourriaud ou Christoph Türcke, por exemplo). Este projeto de pesquisa se propõe a discutir a tese do neobarroco como uma superação da perspectiva que motivou a crítica do espetáculo nos anos 1960, tendo em vista as suas implicações para o resgate do conceito de estilo na contemporaneidade. Nesse sentido, o trabalho de Omar Calabrese desponta como a possibilidade de ancorar o conceito de neobarroco em discussões que perpassam a estética e a história da arte, definindo um caráter de época marcado tanto por um estilo como por um gosto que trazem à mente a ideia original de barroco.

Duração: Agosto de 2015 a Julho de 2016

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