Centenário de André Bazin

André Bazin (1918-1958), o fenomenólogo, o realista, via o cinema como uma experiência pela qual o mundo se revela. Não surpreende, portanto, a sua inclinação a ver a imagem gravada na película como algo da ordem do sagrado, algo que não deveria ter apenas uma teoria, mas sim uma ontologia.

A noção de cinema que vai se construindo ultimamente é o extremo oposto do que Bazin pensava. Essa geração vigilante e corretiva, que vê filmes fiscalizando se eles representam corretamente o mundo, tornou-se, por definição, incapaz de lidar com as imagens como se elas tivessem uma ontologia.

Talvez este seja o ponto culminante da abertura para a manipulação das imagens que, quando o filme digital se impôs, todos entenderam como o começo do fim de Bazin. Foi preciso que a ação do espectador se banalizasse, passando a reinar, absoluta, para que ele finalmente se considerasse superior ao que vê. Não é mais o mundo que lhe chega por meio do cinema. É ele que empurra o seu mundo para dentro dos filmes.

 

 
bazincat.jpg